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Solidão ou solitude? A diferença que pode transformar a sua vida

Foto do escritor: Silvana Venancio
Silvana Venancio
26 de jun. de 2024
3 min de leitura

Atualizado: 25 de set.



Uma coisa importante que eu preciso dizer neste texto, não existe solitude sem solidão e sem silêncio. Agora, a solidão não é necessariamente solitude, mas sem solidão e silêncio, não há solitude. E você pode aprofundar em sua interioridade e aumentar o seu conforto interno se conseguir cultivar uma vida com solitude.


A solidão sem a solitude pode vir acompanhada da sensação de angústia e de abandono. E numa tentativa desesperada de abafar esses sentimentos, tentamos preencher esse vazio com muita música, séries e diversas distrações. E ainda existe uma falsa sensação de que algo lá fora, que pode ser os filhos, os netos, um companheiro, um trabalho, algo que todo mundo sabe e você, que irá trazer sentido à vida e assim tudo ficará bem.

Outra coisa muito importante que eu preciso dizer neste texto, a solidão é fruto da vida moderna. Vivemos nessa época, não é possível mudar isso. Mas podemos entender a mentalidade dela. No mundo antigo e até mesmo na era medieval a solidão era uma decisão. A solidão dos eremitas e dos monges. A vida comum era comunitária. Com a modernidade, ocorre a “invenção” do indivíduo. A consequência do individualismo moderno é uma epidemia de solidão.


A vida moderna é estruturada para gerar solidão. Moramos longe da nossa família original, cada um no seu apartamento. Nas manhãs, cada um pega o seu carro para ir ao trabalho. É possível ver dezenas e centenas de indivíduos sozinhos em seus veículos. Pessoas passam por seus vizinhos e não oferecem uma carona. Existe uma solidão gerada pelo conforto. E isso tudo é muito irônico, conquistamos o bem estar dos avanços tecnológicos e desaprendemos de cultivar a alma e as relações.


Será que é possível transformar a solidão em solitude, então? Sim. Mas para que isso aconteça, é necessário uma mudança de mentalidade, uma revolução copernicana. É necessário uma mudança de foco do objeto para o sujeito, ou seja, parar de procurar fora o que só encontraremos dentro de nós mesmas. Tem uma frase de Carl Jung que reflete essa ideia: “quem olha para fora sonha, quem olha para dentro acorda”. Significa perceber que não tem nada lá fora que irá te preencher e te livrar do vazio da solidão.


Para Henri Nouwen, a solidão é a fornalha da transformação. Não dá para acontecer essa virada, da solidão para a solitude, sem aceitar a solidão. Ela é necessária, e em algum período da sua vida, ela virá quer você queira ou não. A melhor coisa a fazer é: pare de fugir, aceita, acolhe, ouve, fique em silêncio. Não é possível experimentar essa fornalha da transformação, tentando se distrair ao máximo ou trabalhar até levar o corpo à exaustão.


Existe um tipo de vida voltada para a solidão que sobreviveu aos nossos dias, a vida monástica. Os monges devem saber alguma coisa que nós simples mortais não sabemos. Existe uma sabedoria na solidão. Todas as pessoas iluminadas na história da humanidade foram para o deserto, literalmente ou simbolicamente. Não existe transformação sem solidão e sem silêncio.


Se você parar de fugir e encontrar uma maneira de ficar em silêncio, na sua solidão irá ouvir o que Deus está querendo te dizer para transformar a sua vida. “Há tempo para todo o propósito debaixo do céu” (Eclesiastes). Se o seu tempo agora é de solidão, aprenda a cultivar a solitude.


E o que é solitude? É a solidão sem desespero, é um silêncio proposital, causado. Solitude é a solidão, sem tentativas de fuga. Solitude é um estado da alma. A solidão, para os Padres do Deserto, é uma tentativa de cura, é como se fosse a salvação diante de um naufrágio. “Pois o que aproveitará o homem se ganhar o  mundo inteiro e perder a sua alma?” (Jesus). 


Silvana Venancio é Doutora em Teologia e Terapeuta Junguiana

Instagram: @silvanagvenacio

Youtube: @silvanavenancio

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