E se a depressão estiver tentando lhe dizer alguma coisa?

Atualizado: 9 de set.

E se a depressão estiver dizendo algo? Será que ela é um Deus ou um demônio que nos possui? Eu costumo dizer que a depressão é como um fantasma que fica nos rondando, só esperando uma oportunidade para nos assombrar. Basta um sentimento mal resolvido, uma questão inacabada e podemos ser arrastadas para uma vida de escuridão, de ausência de sabor e de falta de sentido. Ninguém está livre, por isso precisamos cuidar dos nossos afetos, das nossas emoções, da nossa vida.
Eu e você não estamos imunes a isso e certamente conhecemos e amamos pessoas que passam por essa situação. Tem uma coisa que o Carl Jung me ensina em seus livros, que talvez ajude a compreender uma parte do que acontece quando a energia psíquica regride. Mas até uma pessoa que trabalha muito ou que esteja envolvida em muitas atividades, também pode estar deprimida.
Quando as adaptações e mudanças que a vida exige não acontecem, geralmente a depressão se instala. Muitas pessoas podem não compreender, diz Carl G. Jung, “como o seu mundo se alterou, e que atitude deveria tomar para adaptar-se novamente”. Uma coisa é certa, não há como viver uma vida sem alterações, tudo muda o tempo todo no mundo. Eu sei que é difícil aceitar as mudanças.
Existem idades que convidam à mudança, a uma virada de chave. Isso geralmente acontece na adolescência e na segunda metade da vida. Quando não nos atentamos para isso, a alma não encontra lugar para ir. E como a energia psíquica não habita de forma saudável na falta de perspectiva, ela regride para poder se reconstruir. Assim sendo, parece que a depressão é uma tentativa de cura. Então por que não nos sentimos confortáveis nesse lugar? Porque não se trata de conforto, mas sim de transformação, de se abrir para uma oportunidade de mudança.
Pensa comigo, a vida traz a mudança, a vida traz as alterações, perda de emprego, de padrão social, mortes, envelhecimento, mas não queremos olhar para isso. Não aceitamos, resistimos, queremos que tudo seja como antes, mas não é. Chega um hora que parece que a vida se estagnou, mas a energia vital não para, ela simplesmente regride e vai visitar os conteúdos internos.
Aceitar a vida, às novas situações é fundamental, por isso a espiritualidade é tão importante na maturidade. Fazer terapia, cultivar uma espiritualidade saudável, ter coragem de viver a vida com aceitação, com humildade, na medida certa, sem colocar força de mais e nem força de menos. É aceitar a vulnerabilidade, é aceitar o envelhecimento, a morte da juventude.
Todo o dia, eu sei que a depressão está ali, olhando pra mim, posso ignorá-la, ou posso ter a coragem de olhar para ela e cuidar de mim, cumprindo as tarefas da alma. E quais são as tarefas da alma? Fazer terapia, ter contato com a natureza, não ficar sozinha por muito tempo, sempre ter amigas por perto, amar as pessoas certas: filhos, irmãos, pais e parceiros sexuais saudáveis se houver. Enfim, viver um dia de cada vez, pois todo o dia é uma oportunidade de mudar e de se adaptar a mudanças.
Autora: Silvana Venancio, terapeuta junguiana. Analista Junguiana em formação.




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