1. A Bíblia é um texto sagrado, escrito há milhares de anos, em um contexto muito diferente do nosso, sem falar que muitas traduções fazem uma opção por uma linguagem sofisticada e antiga. Aliado a isso, existem interpretações bíblicas cristalizadas como certas por determinadas tradições cristãs. Além disso, existe a ideia de que, se o leitor não tiver a posse de certos conhecimentos técnicos ou não dominar as línguas originais do texto bíblico, ele não chegará a uma interpretação correta. Porém, não existe interpretação certa ou errada, o que existem são interpretações coerentes com a experiência de fé. Você e eu já estamos inseridos na comunidade de Cristo, já temos fé, uma fé que nasce de uma experiência de Deus, que se fundamenta num texto, que nós assumimos como Revelação, como a Palavra de Deus. Ter consciência disso, logo de cara, deve nos deixar aliviados. Como pessoas de fé podemos nos aproximar do texto e interpretá-lo, sem medo;
2. Uma boa interpretação só é possível se nos aproximarmos das narrativas dos primeiros cristãos, dessas primeiras experiências de fé em Jesus, a partir do nosso contexto, das nossas próprias perguntas. A Bíblia é a Palavra de Deus porque ela suscita em nós a mesma experiência, o mesmo desejo de amar a Deus desses cristãos. Portanto, não se trata de repetir apenas o texto ou buscar um sentido único que foi dado em algum tempo ou lugar. Trata-se de ouvir esta Palavra e buscar o sentido dela no seu contexto, na sua vida, na sua história, para favorecer a experiência de Jesus na sua vida, assim como os nossos primeiros irmãos e irmãs fizeram no passado;
3. A Bíblia é a Palavra de Deus viva porque está aberta a múltiplas interpretações. Porque ela tem no seu horizonte a pessoa de Jesus, que é o critério máximo para toda interpretação das Escrituras. Ou seja, toda vez que a leitura do texto suscitar dúvida ou incômodo aos nossos ouvidos contemporâneos, devemos nos perguntar como esse texto pode nos ajudar à luz das palavras e da prática de Jesus de Nazaré;
4. Lembre-se sempre que o Cristianismo é a mensagem de uma experiência de fé que as comunidades primitivas fizeram de Jesus e não uma religião baseada na repetição de fórmulas e preceitos. Sendo assim, uma boa interpretação bíblica deve saber na mente e no coração, quais textos permitem fazer uma experiência de Deus hoje, na sua vida, na sua própria linguagem, na sua história, no seu contexto. Lembre-se sempre que a religião cristã não está baseada numa informação sobre Deus, mas numa experiência com um Deus que nos escapa, pois Ele é essencialmente mistério;
5. Fazer uma leitura pessoal da Bíblia não significa, no entanto, virar as costas para uma tradição, mas perceber que a Tradição da Igreja é viva e não uma repetição de conceitos e dogmas somente. Uma boa leitura e interpretação da Sagrada Escritura é aquela que nos aproxima mais de Deus, enchendo o nosso coração de amor e de misericórdia para com o próximo e nos insere no compromisso com o mundo, assumindo responsabilidades com a criação e com as questões do nosso tempo.
Fica com Deus, até o próximo texto. Curta, compartilhe com seus amigos e deixe o seu comentário aqui. Me segue também no Instagram e no YouTube. Visite e curta a minha página no Facebook. Grata!
Silvana Venancio é pastora, teóloga e professora de Filosofia. É divorciada, mãe do João Paulo e do José Esthevão. Discípula de Jesus de Nazaré há quase 40 anos, vive a sua espiritualidade com respeito e abertura a todas as confissões religiosas.
Eu criei um grupo para postar um conteúdo EXCLUSIVO para quem estiver no grupo. Pode ser uma pequena reflexão, um áudio ou vídeo sobre Espiritualidade e Saúde. Quem entrar no grupo vai receber o eBook A Vida que nasce da dor e em dezembro ganhará um presente: um eBook com todos os meus textos. Mas fique tranquila só eu posso postar, esse grupo não terá "bom dia" e nem "KKk". Participe. Grata! Silvana Venancio.
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Estou fazendo a leitura da Bíblia diariamente, mas a interpretação realmente, não é fácil.